Se existe
uma especialidade do bolsonarismo, é a arte de apontar o dedo sujo enquanto
esconde a mão inteira na lama. É exatamente o que está acontecendo no escândalo
do Banco Master e de seu ex-dono, Daniel Vorcaro.
Nas últimas
semanas, a militância bolsonarista entrou em frenesi nas redes sociais tentando
colar a imagem de Vorcaro em adversários políticos, em ministros do STF e no
governo Lula. Qualquer foto, qualquer menção, vira "prova" de
conluio. O problema é que eles esqueceram de apagar o próprio rastro — e o
rastro é enorme.
Vorcaro não virou
banqueiro do nada. Como o próprio presidente Lula lembrou, o Master não era
banco e foi transformado em instituição financeira durante o governo Jair
Bolsonaro. Foi no governo Bolsonaro que ele cresceu, que ele ganhou musculatura
e que começou a operar no centro do poder.
E quem estava lá, bem no centro?
O senador Flávio
Bolsonaro, investigado por ter recebido pagamentos de Vorcaro para financiar o
filme "Dark Horse", a cinebiografia laudatória do pai. O inquérito só
veio à tona depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo.
O governador
Tarcísio de Freitas, herdeiro político mais bem cotado do bolsonarismo, recebeu
financiamento de campanha do banqueiro.
O deputado Nikolas
Ferreira, o porta-voz mais barulhento da extrema-direita no Congresso, pegou
carona no jatinho de luxo de Vorcaro.
O senador Ciro
Nogueira, ex-ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, foi o autor da famosa
"Emenda Master" no Congresso, que aumentaria a cobertura do FGC de R$
250 mil para R$ 1 milhão — uma medida feita sob medida para salvar o banco que
já estava afundando.
E a lista não para
nos políticos. As mensagens vazadas do celular de Vorcaro mostram um verdadeiro
tapete vermelho estendido para o bolsonarismo no Judiciário. Filho de Luiz Fux
trocando mensagens de "irmão" com o banqueiro, proximidade com Nunes
Marques, Toffoli e Mendonça — todos hoje apontados como os "bolsonaristas
de toga".
Enquanto isso, a
tática é a velha de sempre: gritar bem alto sobre supostos laços dos outros
para que ninguém olhe para os seus. Quando o escândalo envolve aliados, a
grande mídia que eles tanto acusam de ser "esquerdista" curiosamente
silencia, e eles aproveitam para inverter o jogo, mirando em Fábio Luís, o
Lulinha, e em qualquer um que possa desviar o foco.
É cinismo em
estado puro. Criticam adversários por uma foto com Vorcaro, mas esquecem que
financiaram suas campanhas com o dinheiro dele. Atacam quem teve o nome citado
em uma conversa, mas escondem que voaram no avião dele, que apresentaram
emendas para salvá-lo e que transformaram um empresário em banqueiro dentro do
Planalto.
No fim, a frase que resume o caso foi a mais certeira: Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e virou prisioneiro no governo Lula. E é justamente por isso que os bolsonaristas gritam tanto. Quem está envolvido até o pescoço tem medo de se afogar quando a água sobe.

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