1. O desgaste anterior - a padroeira
Na semana passada circularam
publicações associando Flávio
Bolsonaro (PL) a um suposto plano para retirar de
Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A história
recuperou um projeto de 2007 do então deputado Victório Galli (MDB-MT) para
trocar a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos
brasileiros católicos apostólicos romanos" no feriado de 12 de outubro.
Esse projeto foi apresentado em 2007, arquivado em 2008 e não tem relação com
Flávio.
A narrativa ganhou
força após uma fala no programa 'Em Pauta', da GloboNews. O canal corrigiu na
madrugada de sexta (25) e pediu desculpas. No dia 25, o ministro do TSE André
Mendonça determinou remoção de publicações por considerá-las "notoriamente
inverídicas". Flávio negou e chamou de fake news.
Mesmo após a
correção, Lula explorou o caso no Canal Livre da Band no domingo (27), dizendo
que "mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável". A jornalista
Adriana Araújo o interrompeu informando que se tratava de fake news.
2. A nova fala - o "toque"
Na noite de
segunda-feira (29/9), em agenda em Belém (PA), ao defender prevenção ao câncer
de próstata, Lula disse:
“A minha mãe morreu de câncer aos 65 anos
de idade, porque naquele tempo as condições de tratamento era muito precária. E
hoje eu vi uma coisa que me orgulha. Eu vi uma coisa fantástica. Nós hoje
fizemos a primeira operação robótica de próstata aqui no estado do Pará e no
norte do país. A primeira operação robótica.
E por que que isso é importante? Porque o
homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta,
ele não gosta de toque, sabe? As mulheres aprendem tomar toque desde quando é
pequena. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que quando ele
tiver câncer de próstata vão dar muito toque nele.”
3. Como a
campanha de Flávio está usando
Segundo o
Metrópoles reproduzido pelo Portal Go 62, a campanha de Flávio passou a
explorar a declaração na tentativa de reduzir o desgaste provocado pela
polêmica da padroeira. A estratégia foi adotada pelo grupo do candidato do PL
na reta final do primeiro turno, para deslocar o debate.
A ação foi
coordenada nas redes:
Rogério Marinho
(PL-RN) disse que seria insulto e "desprezo" pelas mulheres
Daniella Marques
classificou como "abjeta"
Guilherme
Derrite e Nikolas
Ferreira reproduziram em vídeos. Nikolas chamou
de "errada e nojenta" e argumentou que meninas não são submetidas
rotineiramente a exames ginecológicos internos desde a infância
O PL produziu uma
peça que, após exibir a fala de Lula, apresenta dados sobre estupros de
vulneráveis e afirma não haver "razão, causa ou circunstância que
justifique tomar toque desde pequena"
Horas depois, o
próprio Flávio publicou vídeo:
"Ô, Lula, eu tenho duas filhas pequenas, uma de 14 e
uma de 12 anos. E elas não estão acostumadas a tomar toques desde criança, não.
Essa sua fala é preconceituosa, é machista e de quem não entende nada."
4. Reação da campanha de Lula
Na terça-feira, a
campanha petista disse em nota que o presidente se referia à rotina de exames
ginecológicos de prevenção e acusou a oposição de "deturpar" a
declaração, chamando de "mais uma ação do gabinete do ódio bolsonarista".
Além da nota,
acionou o TSE para pedir remoção de publicações de Nikolas Ferreira e que ele
seja impedido de publicar conteúdos com "idêntico teor", argumentando
que ele atribuiu outro significado à fala ao usar expressões como "nojento"
e associar à ideia de "toque vaginal interno em crianças".
Na noite de terça, em comício na Bahia, Lula se defendeu dizendo que a intenção foi comparar a resistência dos homens ao exame de próstata com a disposição das mulheres para exames ginecológicos desde jovens. A primeira-dama Janja comentou o caso e chamou Nikolas de "piá de bosta", termo usado no Sul para menino mau criado.

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