Por: Portal Tarobá com AEN = Foto:
Regina/CCM Patrimônio
Três estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina,
em Londrina, estão desenvolvendo uma solução à base de arruda para
tentar afastar escorpiões. A pesquisa começou em março e busca uma alternativa
de baixo custo diante do número de acidentes envolvendo esses animais no
Paraná.
O projeto é desenvolvido por alunos do 9º ano do Ensino Fundamental que
participam da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação. A proposta
utiliza a planta Ruta graveolens, conhecida popularmente como arruda,
como base para uma solução cuja capacidade de repelir escorpiões ainda precisa
ser comprovada.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná registrou 8.472
acidentes com escorpiões em 2025, dos quais 1.144 ocorreram em municípios
atendidos pela 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Até setembro de 2026, o estado contabilizou outros 5.265 casos, sendo
678 na região de Londrina.
Testes iniciais foram realizados com formigas
A pesquisa ainda está em fase inicial. Como os estudantes não receberam
autorização para realizar testes com escorpiões vivos no ambiente escolar, o
grupo adaptou a metodologia e fez os primeiros ensaios com formigas.
Segundo os alunos, os insetos evitaram as áreas tratadas com a solução
nas duas rodadas de testes realizadas.
O resultado é considerado um indicativo inicial para a continuidade da
investigação, mas não comprova que a fórmula seja eficaz contra escorpiões.
Embora formigas e escorpiões pertençam ao grupo dos artrópodes, são animais
diferentes e podem reagir de maneiras distintas às mesmas substâncias.
A próxima etapa prevê a realização de testes controlados nos
laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com a
equipe científica da instituição.
Pesquisa busca alternativa de baixo custo
O projeto utiliza folhas e ramos de arruda para extrair substâncias
vegetais que possam apresentar efeito repelente. A proposta é desenvolver uma
solução acessível, com possibilidade de aplicação em locais onde o risco de
contato com escorpiões é maior.
O estudante Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, de 15 anos, integrante da equipe,
destaca que a facilidade de encontrar a planta motivou a escolha do material.
O grupo também pretende investigar quais concentrações seriam
necessárias para obter um possível efeito repelente, por quanto tempo a solução
permaneceria ativa e qual seria o alcance da aplicação.
Outro ponto importante será avaliar a segurança para pessoas e animais
domésticos antes de qualquer possível recomendação de uso.
A solução ainda não tem eficácia comprovada contra escorpiões e não deve
substituir as medidas oficiais de prevenção. A arruda também pode causar
reações na pele, especialmente após exposição ao sol, e o uso de extratos
caseiros exige cautela.
Projeto tem foco social
Além de investigar o potencial da solução, os estudantes pretendem
compartilhar os resultados da pesquisa com moradores de regiões vulneráveis,
onde as condições ambientais podem favorecer a presença de escorpiões.
A intenção é transformar o conhecimento produzido na escola em uma
contribuição para a comunidade, desde que a eficácia e a segurança da alternativa
sejam confirmadas nas próximas etapas.
O trabalho foi apresentado na Feira Nacional de Altas
Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), realizada em Foz do Iguaçu e organizada
pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).
A professora de Biologia e orientadora do projeto, Natália Cenedesi
Vicentim Bom, destaca a importância de feiras científicas para estimular a
pesquisa, o intercâmbio de experiências e a busca de soluções para problemas
enfrentados pela sociedade.
Como prevenir acidentes com escorpiões?
Enquanto a pesquisa avança, a orientação das autoridades de saúde é
adotar medidas preventivas para reduzir a presença desses animais nas
residências.
Entre as principais recomendações estão:
·
Não acumular lixo, entulho, madeira,
telhas e outros materiais em desuso;
·
Manter ralos protegidos com telas ou
dispositivos de fechamento;
·
Vedar frestas em paredes, portas,
rodapés e janelas;
·
Usar luvas e calçados fechados ao mexer
em materiais de construção ou limpar quintais;
·
Sacudir roupas, calçados e roupas de
cama antes de utilizá-los.
Em caso de picada, a recomendação é procurar atendimento de saúde
imediatamente. Não se deve esperar o aparecimento de sintomas para buscar
orientação.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) também presta
orientações pelos telefones:
CIATox Paraná: 0800 041 0148
CIATox Londrina: (43) 3371-2244
CIATox Maringá: (44) 3011-9127
CIATox Cascavel: (45) 3321-5261

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