O MAIOR FORNECEDOR DE ARMAS DO MUNDO: POR QUE OS ESTADOS UNIDOS DOMINAM O COMÉRCIO GLOBAL
Se existe um
mercado onde os Estados Unidos não têm concorrentes, é o de armas.
Segundo o mais
recente relatório do SIPRI - Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de
Estocolmo, os EUA não são apenas o maior fornecedor, são de longe o maior. E a
distância para o segundo colocado só aumentou nos últimos 5 anos.
1. Os números que impressionam
No período entre
2020-2024, avaliado pelo SIPRI Yearbook 2025:
• Os EUA
detêm 43% de todas as exportações globais de armas, consolidando sua posição
como o maior fornecedor mundial de sistemas militares avançados.
• As exportações
americanas cresceram 27% em relação ao período anterior (2015-2019).
• O crescimento
para a Europa foi de 217%, impulsionado pela guerra na Ucrânia. Pela primeira
vez em duas décadas, a Europa (38%) superou o Oriente Médio (33%) como
principal destino das armas americanas.
Para ter uma ideia
da dimensão, a diretora do SIPRI, Aude Fleurant, resumiu: “Considerando o
incremento das tensões e conflitos regionais os EUA permanecem de longe o maior
fornecedor de armas do mundo”.
Eles venderam ou
doaram armamentos pesados para pelo menos 96 Estados nos últimos cinco
anos.
2. O que os EUA vendem?
Não é fuzil e
munição. O domínio americano está no topo da cadeia tecnológica:
a) Aeronaves de
combate: Quase 500 aeronaves de combate foram fornecidas para aliados europeus
da OTAN e outros parceiros no período, com destaque para o caça de 5ª geração
F-35. Só do F-35, existem encomendas de 611 unidades para 9 países.
b) Sistemas de
defesa e precisão: Mísseis de longo alcance, sistemas de defesa antimísseis
como Patriot, HIMARS, e bombas guiadas de precisão.
c) O complexo
industrial: O maior aumento absoluto de receita foi da Lockheed Martin, com +
US$ 5,1 bilhões. As 5 maiores empresas de armas do mundo são todas americanas:
Lockheed Martin, RTX (ex-Raytheon), Northrop Grumman, Boeing e General
Dynamics.
3. Quem são os outros grandes?
O ranking global
2020-2024 ficou assim:
1. EUA - 43% do
mercado
2. França - 9,6% -
Ultrapassou a Rússia pela primeira vez em 30 anos, impulsionada pelas vendas do
caça Rafale.
3. Rússia - 7,8% -
Em queda livre. Suas exportações despencaram mais de 60% devido às sanções e à
necessidade de usar tudo na Ucrânia.
4. Alemanha - 5,6%
- Ultrapassou a China e se tornou a quarta maior exportadora.
5. China - 5,9% -
Estabelecida como fornecedor significativo, mas ainda focada em clientes como
Paquistão e países africanos.
4. Por que os EUA lideram com tanta folga?
Não é só tecnologia.
São 3 pilares:
1. Política
Externa como Marketing: Cada guerra que os EUA participam é uma vitrine. A
Ucrânia virou o maior comercial do mundo para o armamento americano.
2. O efeito OTAN:
Quando um país entra na OTAN, ele precisa padronizar seu exército ao padrão
americano. Isso significa trocar caças russos ou franceses por F-16 e
F-35.
3. Produção
doméstica gigantesca: Os EUA são também o país que mais gasta em defesa no
mundo (cerca de 40% do gasto militar global). Isso permite desenvolver armas
com dinheiro público e depois exportar com lucro.
5. O futuro: o domínio vai
continuar?
Os planos
conhecidos para entregas de armas pesadas nos próximos anos indicam fortemente
que os EUA permanecerão incontestáveis como o maior fornecedor mundial.
Com mais de 2.500
F-35 ainda para serem entregues, a modernização nuclear e a nova corrida
armamentista na Europa e na Ásia-Pacífico, a tendência é de crescimento.
A pergunta que o
relatório do SIPRI deixa é outra: em um mundo onde o fluxo global de armas
subiu quase 10% e a demanda europeia disparou 143%, até quando o comércio de
armas continuará sendo o negócio mais lucrativo e desestabilizador da
geopolítica?

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